um ponto reluz
invisível no centro
dum interminável plano
noutro dia
sonhou ter companhia
juntando seu brilho ao de estrelas
após um pôr-de-sol
solitude
sol e toda
solidão
solitário como o sol no céu
o ponto desejou a escuridão
quinta-feira, 23 de julho de 2009
invenção da noite
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cesare
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domingo, 19 de julho de 2009
quadrinha
ó musa arredia
por cuja beleza sucumbiriam impérios
a maior devoção é por tua magia
ou por teus inquietantes mistérios?
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cesare
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18:58
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
Considerações para uma psicografia do poeta
O poeta é um fingidor
E finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
[Fernando Pessoa, de “Autopsicografia”]
1
Condenado por Platão à expulsão da República, o poeta é o fingidor, o criador de simulacros que aliena e arruína o real. O poeta é o cultor de Dioniso, deus ébrio, espelho e oposto de Apolo e da razão. É o cantor lírico e trágico, guardião dos mistérios do mundo e da alma e criador das próprias origens.
Acima de tudo, o poeta É [como em Rilke: o “Cantar é ser” dos “Sonetos a Orfeu”], porque é esse o poder da metáfora. E porque a metáfora é o ser do poema...
2
Esse é o desvario do poeta romântico, do primitivo a quem Baudelaire apresentou a modernidade. O desvario do poeta maldito que se entrega à ebriedade e flerta com a loucura. Que vive a paixão e a música do poema, o ritmo e a melodia do verso.
Com Baudelaire e a modernidade esse poeta épic e descabido versifica suas inquietações e amores e dialoga com a realidade e o mito. Lê e interpreta. Um pintor da vida. Um ser que desafia e não um que aliena e alheia.
3
Há uma carta que Rimbaud escreveu do futuro. Nela conta que a poesia está à frente da ação...
4
A febril era das máquinas mudou a relação do homem com o mundo, afastando-o do lúdico e impondo-lhe a valorização da produção acima da criação. Contexto que transforma a poesia, como toda a arte, em produto. O poeta passa a ser um profissional. Aproxima-se da arte visual e afasta-se da expressão do eu-lírico. Repensa [e assassina] o verso. Descobre o espaço da página [viva Mallarmé!, viva Apollinaire!] e atira-se ao diálogo com a poesia e com a tradição poética: o poema moderno é crítico destruidor, formalista e referente, contrapondo-se e completando-se ao desvario-fingimento lúdico que lhe deu origem, alimentou e encheu de delírio e mistério.
5
Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.
Arthur Rimbaud
6
E o que canta, pinta ou escreve o poeta do século XXI? Uma realidade aturdida? Espasmos e prazeres? Medos e espantos?
O poeta do XXI canta a tradição e a ruptura. É primitivo e moderno. Divino e profano. Demiurgo e cego. Celebra e amaldiçoa o mundo, o pensamento, o amor. Anseia e teme o futuro. Sonha, cria, deseja, destrói.
O poeta do XXI, como o seu próprio tempo, é um amontoado de incógnitas. É a pergunta, não a resposta. O caos que busca o próprio âmago e não a solução.
7
Louvados e amaldiçoados sejam Rimbaud, Baudelaire, Rilke!
Louvados e amaldiçoados sejam Byron, Eliot, Bandeira, Ginsberg!
Louvados e amaldiçoados sejam os fingidores, os criadores dessa realidade etérea chamada poesia!
Louvados e amaldiçoados sejam o homem e os seus questionamentos! Sua avalanche de ideias tolas e incompreensões, que legitimam eternamente a existência do poeta e do poema – ainda que confinados em guetos ou condenados ao silêncio.
8
Quanto do poeta é a alma e quanto é fingimento?
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cesare
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18:59
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terça-feira, 7 de julho de 2009
um circo
da rua de trás dá pra ver
erguendo-se imponente e lúdica
a lona colorida do circo:
o indefectível teatro
onde luzem os protagonistas
da eterna excursão
nas noites são sempre sorridentes
subjugam a arte
a gravidade
e as crianças ficam tão felizes
quando descobrem o circo
na cidade
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cesare
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04:05
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