domingo, 24 de maio de 2009

monólogo questionado

ah, e o que é que se responde
a qualquer questionamento
ou desafio ou inesperada declaração
de “eu te amo tanto
tanto que te vejo
voar com os pássaros e te vejo
dançar com a vassoura
mesmo quando
ela está quieta encostada na parede
logo ali de frente”
ou à própria necessidade de respostas
que bate à porta quando as coisas
prometem ficar bem, mas não passam
de promessas vãs e nos deixam
atarefados com pensamentos e
horóscopos e milkshakes e catástrofes pessoais?

e por que é que todos vocês me olham
com todo esse interesse
como se eu estivesse aqui para
contar-lhes algo estritamente relevante ou para
exibir-me com algum truque fascinante
ou perder-me vergonhosamente com as palavras?

por que é que ninguém diz palavra alguma e essa
luz vem direto na minha cara e eu estou
vestindo essas roupas que não são minhas e
dizendo todas essas coisas que me mandaram dizer
em vez daquelas que eu realmente deveria?