há alguns dias a cronópios propôs que seus colaboradores fizessem uma lista com os três melhores livros que leram em 2008, independente de ano de lançamento, o que propiciou grandes clássicos nas listas e resultou num festival de boas referências.
num ano de leituras diversas e picadas, mais atrás de estilo que de história, citaria também "Rituais" de Cees Nooteboom, ensaios de Octavio Paz e um volume de poemas de Mallarmé além dos seguintes três:
gaston bachelard, "a poética do espaço"
Ensaio teórico do poeta ocasional, cientista e filósofo francês Gaston Bachelard, "A Poética do Espaço" numa vasta obra que destaca textos sobre o pensamento científico e as famosas psicanálises dos elementos talvez seja o mais relevante em reconhecimento e alarde.
É um ensaio em que um leitor fino, com a bela poesia francesa de Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Bréton, a sensibilidade de Rilke ou o delírio de Milosz a disposição, discorre sobre a relação da poesia [do eu-lírico] com o espaço [o mundo, a casa, o interior de uma gaveta].
Abalador durante a leitura [ao menos a mim foi desvario], o texto suscita a imaginação e a emoção enquanto desvenda sutilezas do fenômeno poético.
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luigi pirandello, "seis personagens a procura de um autor"
Peça mais conhecida do dramaturgo italiano, a tensão de "Seis Personagens a Procura de um Autor" inicia-se com a absurda situação em que se encontra o diretor de uma companhia num ensaio de uma montagem. Aparecem-lhe esbaforidos e impertinentes seis personagens já criados e com destinos traçados que necessitam para existir que sua história seja contada.
Solicitaram que aquele diretor realizasse seu vexador conflito familiar e escancararam o método de criação do interessante e criativo prosador do absurdo.
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yasunari kawabata, "o país das neves"
Minha descoberta de Kawabata. Depois de apaixonar por um rosto refletido sobre o crepúsculo num vidro de trem, a prosa leve e lírica conduz Shimamura entre amores pouco discretos no país das neves.
Prosador de pena ágil, Kawabata desenvolve no romance o mesmo estilo de seus contos da palma da mão, com entrelaçamento de imagem e ação por um observador que, especialmente interessado pelas sutilezas, fotografa-as escondido como se fizesse um filme de palavras que culminaria num abrupto silêncio ao atingir o ápice caótico em sua mais radiante cena.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
três livros
Postado por
cesare
às
21:46
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3 comentários:
eu gosto tanto da forma como você usa as palavras para falar sobre coisas que você gosta...
"seis personagens.." é realmente mto bom. =)
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