quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

três livros

há alguns dias a cronópios propôs que seus colaboradores fizessem uma lista com os três melhores livros que leram em 2008, independente de ano de lançamento, o que propiciou grandes clássicos nas listas e resultou num festival de boas referências.

num ano de leituras diversas e picadas, mais atrás de estilo que de história, citaria também "Rituais" de Cees Nooteboom, ensaios de Octavio Paz e um volume de poemas de Mallarmé além dos seguintes três:

gaston bachelard, "a poética do espaço"

Ensaio teórico do poeta ocasional, cientista e filósofo francês Gaston Bachelard, "A Poética do Espaço" numa vasta obra que destaca textos sobre o pensamento científico e as famosas psicanálises dos elementos talvez seja o mais relevante em reconhecimento e alarde.
É um ensaio em que um leitor fino, com a bela poesia francesa de Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Bréton, a sensibilidade de Rilke ou o delírio de Milosz a disposição, discorre sobre a relação da poesia [do eu-lírico] com o espaço [o mundo, a casa, o interior de uma gaveta].
Abalador durante a leitura [ao menos a mim foi desvario], o texto suscita a imaginação e a emoção enquanto desvenda sutilezas do fenômeno poético.

* * *

luigi pirandello, "seis personagens a procura de um autor"

Peça mais conhecida do dramaturgo italiano, a tensão de "Seis Personagens a Procura de um Autor" inicia-se com a absurda situação em que se encontra o diretor de uma companhia num ensaio de uma montagem. Aparecem-lhe esbaforidos e impertinentes seis personagens já criados e com destinos traçados que necessitam para existir que sua história seja contada.
Solicitaram que aquele diretor realizasse seu vexador conflito familiar e escancararam o método de criação do interessante e criativo prosador do absurdo.

***

yasunari kawabata, "o país das neves"

Minha descoberta de Kawabata. Depois de apaixonar por um rosto refletido sobre o crepúsculo num vidro de trem, a prosa leve e lírica conduz Shimamura entre amores pouco discretos no país das neves.
Prosador de pena ágil, Kawabata desenvolve no romance o mesmo estilo de seus contos da palma da mão, com entrelaçamento de imagem e ação por um observador que, especialmente interessado pelas sutilezas, fotografa-as escondido como se fizesse um filme de palavras que culminaria num abrupto silêncio ao atingir o ápice caótico em sua mais radiante cena.

3 comentários:

grazi shimizu disse...

eu gosto tanto da forma como você usa as palavras para falar sobre coisas que você gosta...

Carolina disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Carolina disse...

"seis personagens.." é realmente mto bom. =)