segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

na ampulheta o tempo parou [e o ar carregou consigo alguns fluidos de felicidade]

ainda que o tempo
fingisse-se
perplexo
desde que a areia
meio que por milagre

parou

de

cair

[um
solitário
grão
ruidosamente
despencado
em
horas
ou
minutos]

parece
que o planeta
não parou
a translação

percebemos flutuando seu movimento tranquilo
[na atmosfera onírica flutuávamos em hélio e tínhamos estridentes vozes pueris]
inertes
imóveis
irresponsáveis
[crianças incrivelmente felizes gozando indeléveis a possibilidade de flutuar na surrealidade do tempo – a ruptura drástica da perspectiva proporcionada por aqueles minutos de desatenção nos quais o infinito pareceu tão real, próximo e atingível que jurávamos estar a apenas algumas estrelas de tocá-lo]

hoje foi dia
de acreditar
que felicidade
flui pelo ar

2 comentários:

cesare rodrigues disse...

este era uma das "irrealidades expressas".
há alguns dias desisti delas.

grazi shimizu disse...

desistiu porque???????
simplesmente sensacional... de parar a respiração por alguns pequenos pedaços de segundo, até ela voltar e um pequeno sorriso surgir, talvez pela felicidade que fluiu no ar...