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reluzente como o amanhecer da primavera-nova, a inefável chama da revolução [um incorruptível desvario libertário que me toma a cada nova paixão] acalentava meu infinito inverno. as inquietações que levaram deuses, heróis e sábios a flertar com a mais vaidosa e exigente das damas, a loucura [e flertes tão intensos, e declarações de amor tão profundas...], mantinham-me distante das prazerosas alienações, dos amores impossíveis e inexprimíveis, dos sublimes sentimentos que ardem no íntimo e queimam o toque alheio causando incuráveis feridas.
mas é impossível atravessar ileso o teu olhar: abandono toda e qualquer convicção e me ponho de joelhos!
ii
tua presença é o vento que empurra o barco da poesia: alimenta as velas e determina o caminho mais aprazível pelos incompreensíveis meandros.
tua presença impulsiona e inflama, mas enquanto vento exaure a chama, então tênue, e meus delírios mergulham em ti, oceano de deleite. e flutuam em ti. e danço lúdico, imerso nesse maravilhoso lapso de tempo.
bebo de ti e me embriago até que irremediavelmente me perca e afogue.
