segunda-feira, 25 de agosto de 2008

[oceano de deleite]

i

reluzente como o amanhecer da primavera-nova, a inefável chama da revolução [um incorruptível desvario libertário que me toma a cada nova paixão] acalentava meu infinito inverno. as inquietações que levaram deuses, heróis e sábios a flertar com a mais vaidosa e exigente das damas, a loucura [e flertes tão intensos, e declarações de amor tão profundas...], mantinham-me distante das prazerosas alienações, dos amores impossíveis e inexprimíveis, dos sublimes sentimentos que ardem no íntimo e queimam o toque alheio causando incuráveis feridas.

mas é impossível atravessar ileso o teu olhar: abandono toda e qualquer convicção e me ponho de joelhos!

ii

tua presença é o vento que empurra o barco da poesia: alimenta as velas e determina o caminho mais aprazível pelos incompreensíveis meandros.

tua presença impulsiona e inflama, mas enquanto vento exaure a chama, então tênue, e meus delírios mergulham em ti, oceano de deleite. e flutuam em ti. e danço lúdico, imerso nesse maravilhoso lapso de tempo.

bebo de ti e me embriago até que irremediavelmente me perca e afogue.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

poeta-nuvem

um poeta chorou lânguido

e fez chover

em mil poemas


todos sobre os mesmos temas:

infinitas odes e sonetos de amor,

metáforas luminosas

e versos tão sublimes

[um poeta-nuvem chovendo versos]

que renderam arco-íris

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

maiakóvski, vanguarda e revolução


ainda que esteja numa versão intermediária, saiu na revista wave um ensaiozinho meu sobre maiakóvski... são na realidade dois textos que vou juntar com mais dois ainda pra chegar num ensaio final...
vai o link [e aviso se o editor colocar a versão final dessa primeira parte]
maiakóvski, vanguarda e revolução

sábado, 9 de agosto de 2008

dos dias de saquê

ébrio, chegou sem pedir licença e pegou na mão dela com um aperto quente que levantou-lhe num susto o olhar direto para o terno olhar dele. e antes que ao primeiro sinal de sorriso ela o baixasse timidamente, ele conseguiu muito mais que os tão desejados três segundos de atenção: mais que a breve retribuição, o cair assustado da franja sobre os olhos que escondiam na profundidade os segredos do mundo [ele poderia passar a eternidade procurando cada segredo naqueles olhos] foi a imagem que, refletida pelos vidros circundantes, levaria como o mais aprazível momento de seus inesquecíveis dias em tóquio, sobre os quais contava entusiasticamente ao novíssimo melhor amigo, acomodados lúdicos e bêbedos nas escadarias duma imponente catedral medieval.