domingo, 29 de junho de 2008

O silicone abre espaço para as despeitadas

[ou De quando as moças resolveram botar os peitos de fora]

De origem tão obscura quanto antiga, o fetichismo humano pelo corpo e especialmente pelas curvas femininas evoluiu para um erotismo desvairado e transformou-se em produto, como tudo o mais que poderia ser vendido e render dividendos [talvez até o invendável seja produto nas mãos de bom vendedor].

Dos retratos de nus por artistas renomados ou não [poderíamos incluir as gravuras] às playboys, passando pelas pin-ups, que mantiveram felizes soldados sob forte artilharia, a figura da mulher sem roupa sempre teve seu espaço na mídia e na sociedade, tendo impacto enorme, inegável e indelével sobre a cultura pop pós-moderna e sobre as regulamentações de comportamento e censura. Destacando-se a admiração e o fascínio que desperta a parte que vem mais à frente: o peito.

Ora pra realização pessoal, ora pra deleite alheio, a mulherada vem enxertando os peitões e marcando presença enquanto agradece aos deuses do silicone e procura por sutiãs de números cada vez maiores. E foi essa “revolução” que tornou acessível às meninas outrora despeitadas as capas das quase onipresentes revistas de mulher pelada e seus tão desejados cachês. O silicone, aliado ao photoshop, faz de qualquer garotinha uma Ingrid Bergman e já é quase impossível ver uma despeitada assumida tal Regininha Poltergeist fazer o sucesso que ela fazia nas revistas [e com os marmanjos] nos meados dos anos 90. Depois da Feiticeira entramos na era do peitão, que chegou ao auge agora com a mulher mais siliconada do Brasil [contando 1200ml] resolvendo mostrar o resultado do santo plasma ao moldar-lhe as formas nas páginas da conhecida revista Sexy.

Para o homem brasileiro, habituado e acomodado com a tradição de bundudas e reboladeiras que requebram por todos os cantos do país e deslumbram os turistas de camisa florida, máquina fotográfica e dólares na mão, a novidade é interessante e talvez venha até modificando preferências. Quem foi que disse que a ciência não é a maior das dádivas?

domingo, 22 de junho de 2008

wasteland of happiness

anyone

looking to the unknown surface

with dreamly eyes

could see the sweety

wasteland of happiness


where sand tastes

like cotton-candy


where weather ever

breake into snow

and lay beautiful

in white


where bright red balloons

shine in the sky

as stars


where thousands of

minds are lost

caught by delights

of love and discovery

quarta-feira, 18 de junho de 2008

desencontro

desencontrado,

perdendo-se entre pernas apressadas

o amor passa despercebido

quando um milhão de vozes

tomam toda a atenção

do potencial apaixonado

prestes a tombar d’amor

quinta-feira, 12 de junho de 2008

corinthians e sport

depois do grande fracasso de dois mil e sete e da derrota pro noroeste aqui em bauru num jogo em que se tivesse vencido avançaria entre os quatro finalistas do campeonato paulista, o corinthians chegou embalado à finalíssima da copa do brasil. o adversário, o sport recife, assustava pelas proezas recentes: batera antes na mesma competição o campeão paulista [palmeiras], o gaúcho [internacional] e o tradicional vasco da gama, aplicando neste acachapante resultado que culminou na aposentadoria de edmundo, um dos craques da história do clube, após perder um pênalti decisivo.

mas o corinthians vinha embalado por vitórias na série b e especialmente por uma heróica recuperação diante do botafogo com direito a defesa de pênalti decisivo pelo goleiro felipe, um dos poucos que salvaram-se da vergonhosa campanha do rebaixamento e que figurava sob os holofotes da decisão como candidato a ídolo.

então os bastidores tiraram romerito da parada. o principal jogador do sport tinha sido fundamental nas vitórias anteriores e submetido humilhantemente o palmeiras marcando-lhes três gols na goleada da ilha do retiro, onde o clube carregava a fama de “difícil de vencer”. e aí tudo pareceu fácil para os corinthianos.

veio a metade paulistana da peleja e rapidinho a fiel, empolgadíssima, comemorava os três a zero, tentos de herrera [novo ídolo, o argentino grosso trombava, cabeceava e fazia a alegria da torcida nas últimas rodadas], chicão e acosta [que começava a descolar os gols depois da supersticiosa troca da camisa dez pela vinte e cinco]. parecia fácil demais para os corinthianos. tão fácil quanto fora bater o brasiliense alguns anos antes, na final da mesma competição, quando liderado por ricardinho recuperara a humilhante derrota para o grêmio [que aliás dividiu um dos grupos mais vencedores da gloriosa história corinthiana].

eufóricos, comemorávamos o virtual título mesmo após o gol de enílton aos quarenta e tantos que valia naquela regra do gol fora de casa.

nem a vitória dos reservas do sport sobre o palmeiras com valdívia e tudo no fim de semana assustava tanto, já que o corinthians goleou na série b e confirmou a boa fase.

por isso e ainda por herrera quase ter alcançado um cruzamento e feito todo mundo acreditar que o corinthians iria pra cima mesmo com a vantagem e lá na ilha foi difícil acreditar nos rápidos dois a zero pro sport. foi muito difícil acreditar na falha de felipe engolindo um chute medonho no segundo gol.

o treinador, mano menezes, era mano como todo mundo na fiel. levantara o grêmio da segunda divisão pra final da libertadores contra o boca do riquelme [que surpreendentemente no dia da vitória corinthiana no morumbi perdia para um fluminense muito sem graça a vaga na final]. assumira alguns meses antes com compromisso de longo prazo. o centenário estava próximo e o corinthians ainda não tinha a sua libertadores. mexeu no time no intervalo. saiu da formação mais conservadora e lançou lulinha e acosta pra junto de dentinho e herrera montarem a linha de frente.

diferente dos estrangeiros, que viviam um de seus melhores momentos no clube, lulinha e dentinho vinham sendo questionados. este já não marcava gols com a freqüência de seu impressionante início, quando lembrava pelo estilo outro habilidoso avante lançado na garotada corinthiana, gil, que depois de desdenhado por kia e a msi [que renderam um ano de tevez, um título brasileiro problemático e um monte de problemas] desapareceu por aí. lulinha já não era nem titular depois da chegada de uns meias mais experientes e tinha naquela decisão a grande chance de se afirmar, especialmente depois da ladainha por causa do começo de carreira sem gols do promissor garoto aos dezessete anos.

mesmo mais ofensivo o corinthians era pouco eficiente. wellington saci [quem?] entrou pra pisar em alguém e ser expulso antes de pegar na bola e deixar a equipe em desvantagem ainda maior. os dois a zero davam o título ao sport e agora o corinthians tinha apenas dez homens em campo.

tentavam correr, mas o sport era melhor. carlinhos bala e luciano henrique, os autores dos tentos, jogavam mais que toda a esquadra corinthiana, que se desesperava com a arbitragem, que punia com muito mais rigor ao alvinegro paulista.

quando já parecia batido, teve a grande chance da partida nos pés de acosta. o uruguaio parecia predestinado. o gol do título seria marcado com a camisa vinte e cinco. viu o goleiro saindo sobre si. vários zagueiros ao redor, poderia num tapa encobrir o arqueiro, botar a bola no canto esquerdo e fazer vibrar a segunda maior torcida do país depois de todas as recentes e enormes frustrações.

mas tentou um drible infeliz e ficou no pé do goleiro, gerando comentários de pênalti e um grande alívio para a multidão de recifenses na ilha do retiro.

o final de um jogo tenso, que teve ainda a expulsão do capitão corinthiano william por agressão, premiou o sport recife com o título mais importante ganho em campo de sua história até então [excluindo-se aquele lendário brasileiro de oitenta e sete que cada um tem o seu campeão], adiou os sonhos de recuperação corinthianos e doeu demais.