depois do grande fracasso de dois mil e sete e da derrota pro noroeste aqui em bauru num jogo em que se tivesse vencido avançaria entre os quatro finalistas do campeonato paulista, o corinthians chegou embalado à finalíssima da copa do brasil. o adversário, o sport recife, assustava pelas proezas recentes: batera antes na mesma competição o campeão paulista [palmeiras], o gaúcho [internacional] e o tradicional vasco da gama, aplicando neste acachapante resultado que culminou na aposentadoria de edmundo, um dos craques da história do clube, após perder um pênalti decisivo.
mas o corinthians vinha embalado por vitórias na série b e especialmente por uma heróica recuperação diante do botafogo com direito a defesa de pênalti decisivo pelo goleiro felipe, um dos poucos que salvaram-se da vergonhosa campanha do rebaixamento e que figurava sob os holofotes da decisão como candidato a ídolo.
então os bastidores tiraram romerito da parada. o principal jogador do sport tinha sido fundamental nas vitórias anteriores e submetido humilhantemente o palmeiras marcando-lhes três gols na goleada da ilha do retiro, onde o clube carregava a fama de “difícil de vencer”. e aí tudo pareceu fácil para os corinthianos.
veio a metade paulistana da peleja e rapidinho a fiel, empolgadíssima, comemorava os três a zero, tentos de herrera [novo ídolo, o argentino grosso trombava, cabeceava e fazia a alegria da torcida nas últimas rodadas], chicão e acosta [que começava a descolar os gols depois da supersticiosa troca da camisa dez pela vinte e cinco]. parecia fácil demais para os corinthianos. tão fácil quanto fora bater o brasiliense alguns anos antes, na final da mesma competição, quando liderado por ricardinho recuperara a humilhante derrota para o grêmio [que aliás dividiu um dos grupos mais vencedores da gloriosa história corinthiana].
eufóricos, comemorávamos o virtual título mesmo após o gol de enílton aos quarenta e tantos que valia naquela regra do gol fora de casa.
nem a vitória dos reservas do sport sobre o palmeiras com valdívia e tudo no fim de semana assustava tanto, já que o corinthians goleou na série b e confirmou a boa fase.
por isso e ainda por herrera quase ter alcançado um cruzamento e feito todo mundo acreditar que o corinthians iria pra cima mesmo com a vantagem e lá na ilha foi difícil acreditar nos rápidos dois a zero pro sport. foi muito difícil acreditar na falha de felipe engolindo um chute medonho no segundo gol.
o treinador, mano menezes, era mano como todo mundo na fiel. levantara o grêmio da segunda divisão pra final da libertadores contra o boca do riquelme [que surpreendentemente no dia da vitória corinthiana no morumbi perdia para um fluminense muito sem graça a vaga na final]. assumira alguns meses antes com compromisso de longo prazo. o centenário estava próximo e o corinthians ainda não tinha a sua libertadores. mexeu no time no intervalo. saiu da formação mais conservadora e lançou lulinha e acosta pra junto de dentinho e herrera montarem a linha de frente.
diferente dos estrangeiros, que viviam um de seus melhores momentos no clube, lulinha e dentinho vinham sendo questionados. este já não marcava gols com a freqüência de seu impressionante início, quando lembrava pelo estilo outro habilidoso avante lançado na garotada corinthiana, gil, que depois de desdenhado por kia e a msi [que renderam um ano de tevez, um título brasileiro problemático e um monte de problemas] desapareceu por aí. lulinha já não era nem titular depois da chegada de uns meias mais experientes e tinha naquela decisão a grande chance de se afirmar, especialmente depois da ladainha por causa do começo de carreira sem gols do promissor garoto aos dezessete anos.
mesmo mais ofensivo o corinthians era pouco eficiente. wellington saci [quem?] entrou pra pisar em alguém e ser expulso antes de pegar na bola e deixar a equipe em desvantagem ainda maior. os dois a zero davam o título ao sport e agora o corinthians tinha apenas dez homens em campo.
tentavam correr, mas o sport era melhor. carlinhos bala e luciano henrique, os autores dos tentos, jogavam mais que toda a esquadra corinthiana, que se desesperava com a arbitragem, que punia com muito mais rigor ao alvinegro paulista.
quando já parecia batido, teve a grande chance da partida nos pés de acosta. o uruguaio parecia predestinado. o gol do título seria marcado com a camisa vinte e cinco. viu o goleiro saindo sobre si. vários zagueiros ao redor, poderia num tapa encobrir o arqueiro, botar a bola no canto esquerdo e fazer vibrar a segunda maior torcida do país depois de todas as recentes e enormes frustrações.
mas tentou um drible infeliz e ficou no pé do goleiro, gerando comentários de pênalti e um grande alívio para a multidão de recifenses na ilha do retiro.
o final de um jogo tenso, que teve ainda a expulsão do capitão corinthiano william por agressão, premiou o sport recife com o título mais importante ganho em campo de sua história até então [excluindo-se aquele lendário brasileiro de oitenta e sete que cada um tem o seu campeão], adiou os sonhos de recuperação corinthianos e doeu demais.