quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

a revolução de alfonso de la torre

Baseando-me na realidade em não tão vasto conhecimento histórico, creio que a mais fracassada revolução da história tenha sido proposta no dia trinta de novembro de 1641, quando o poeta Alfonso de la Torre esmiuçou a uma assembléia de dezenove politizados intelectuais os brilhantes planos que traçara nos últimos vinte cinco anos de avançados estudos.
À luz de velas discursou sobre a etimologia da palavra Revolução e propôs sem divagações adicionais que tentassem tirar do Estado o domínio sobre a informação.
Tomariam o controle dos jornais, escreveriam textos inesquecíveis sobre a liberdade artística e todos os temas tão necessários àquele tempo, “e ainda que as massas inicialmente não nos compreendam, influenciaremos os artistas e os poetas e eles disseminarão as idéias. Em pouco tempo teríamos uma legião lutando conosco e faríamos a Revolução!”.
A ousadia e o romantismo de Alfonso empolgaram os colegas, mas um deles, desconhecido de todos ali, retrucou deboxativo: “mas qual a diversão de ler isso?”.
Com apenas três argumentos hedonistas convenceu os outros e decapitaram o revolucionário [sem dar-lhe qualquer oportunidade de defesa] sob a séria acusação “retrogradez”.

4 comentários:

Breno disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Breno disse...

Onde vc descobre esses fascinantes personagens históricos?

Ficarei ofendido se vc me disser apenas "nos livros" e não citar o livro. Uma boa referência bibliográfica é sempre um achado.

lazarillo tormenta disse...

na verdade isso foi tudo desavergonhadamente inventado...

eu precisava fazer um artigo sobre jornalismo para uma disciplina na faculdade e apoiei-me em habermass e bourdieu pra defender romanticamente o "jornalismo de qualidade"... como introdução, inventei uma anedota que foi a primeira versão desse "a revolução...".
o papo de as massas não sacarem e tal é baseado em maiakóvski ["incompreensível para as massas"].

a decapitação do alfonso foi uma espécie de defesa prévia caso o professor castrasse meu romantismo. creio que funcionou.

te passo o que encontrar e se você tiver alguma bibliografia com uns malucos desses pra indicar me faria feliz!

grazi shimizu disse...

eu gostei tanto dos três...