quinta-feira, 30 de outubro de 2008

crepuscular

Nosso herói não nasceu senhor, impôs-se pela força e virtude para conquistar seu império e sua rainha.

Conquistada a desejada musa, descuidou-se das posses, inebriado e distraído de amor. Corriam nouvellevagueando, apaixonados pelos bulevares e escancarando a todos os sentimentos mútuos.

Celebraram as virtudes do mundo, choraram as angústias falsas dos poetas, entregaram-se à loucura. Morreram de amor e renasceram um para o outro infinitas vezes.

Deslumbraram-se com o céu do alto de uma nuvem e semearam juntos a esperança no cotidiano.

Mas com a primeira flor floresceu a desilusão. Lágrimas que afogariam o mais inflamado amor. E nosso herói venceu tantas batalhas e reconquistou tantas vezes o coração da amada. Mas efêmera, a paixão esvaiu-se irremediavelmente como a luz ao final de cada dia. O cotidiano vencia o amor como a noite vence a luz. E o néscio crepúsculo não iluminou mais que as ruínas das memórias aprazíveis.

2 comentários:

grazi shimizu disse...

o amor sempre vence... mesmo o cotidiano...

Helô Cuente disse...

que bonito.