quarta-feira, 8 de outubro de 2008

ausências

depois de chorar em todas as despedidas da vida

mesmo nas felizes e necessárias

prometeram-lhe recompensas do mundo

e sentiu-se importante:

resolveu chorar outra vez

[uma última vez]

e despedir-se dessa mania inconveniente

de incomodar-se com a presença

ou com ausências momentâneas


e como um poeta a lidar com as ausências

busca pelas palavras exatas

para ilustrar os sentimentos:


as metáforas estão proibidas aqui

e há apenas idéias rabiscadas em papéis avulsos

e ninguém mais


há apenas um silêncio que angustia

e uns devaneios

sobre duas ou três pessoas

lindas e sorridentes

contando de seus dias mais felizes

as histórias confortantes e perfeitas

que costuma imaginar

para todos a quem disse adeus

2 comentários:

Juliana disse...

Gostei de mais deste texto "ausencias"!seu subjetivismo se materializou qnd o li!Me vi escrevendo em papeis avulsos, ideias soltas sem metafora!e contando historias confortantes e perfeitas para auqles a quem eu disse adeus!

grazi shimizu disse...

mais uma vez, muita magia...