segunda-feira, 26 de outubro de 2009

À procura de Eric, Ken Loach


Tenho uma resenha nova na Revista Projeções, do novo Ken Loach, À procura de Eric, filme que recentemente abriu a 33ª Mostra de Cinema de São Paulo e tem o craque Eric Cantona interpretando a si mesmo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Deixo um fluxo voluptuoso me tomar e me levar e fazer perder o rumo e o prumo e o pouco de razão que inconscientemente procuro perder.
E aonde chega esse fluxo conduzindo a inconsciência do poeta? Ao verbo. E o verbo é ser? E o verbo é pensar? Agir? Sentir? Soluçar? O verbo é correr? Fugir desse fluxo voluptuoso que me engole e me mente promessas de paz e ideias e poemas e carícias? Esse verbo por acaso seria amar? Gritar? Espernear? Qual é? Se mostre, porra!
E então me lembro que escorria num fluxo todo meu. Um fluxo cândido, doce. Uma dança que me saltava do âmago e se mostrava vigorosa. Minha própria resposta à opressão e aviltamento. Ao atualmente. Um verbo também difícil de identificar e de controlar e de sufocar, mas um verbo que agride e consola e ama na medida da minha fúria e da minha angústia e do meu caos.
E então me lembro que morria cheio de louros uma morte heróica. Lembro que nascia lá no céu e me fazia fio e fluxo e torrente e desaguava destruidor na realidade. Lembro que sonhava e nos meus sonhos todas as coisas prostravam no aguardo das minhas ordens e ações. No aguardo dos meus pensamentos. E estes não eram tolices ou ingenuidades que pudessem ser tomados assim, abruptamente por qualquer fluxo voluptuoso que brilhasse ou sorrisse ou prometesse plenitude, felicidade ou um pouco de carinho. Por qualquer fluxo voluptuoso que me fizesse derramar sobre delírios de paixões e afetos e mistérios e me espalhar tanto que rarefecesse, desvanecesse, evaporasse e chovesse e arrebentasse pedras e molhasse sonhos alheios e fizesse bater no ritmo frenético da minha canção um perturbado e inquieto coração.
Ah, esse fluxo que me toma e torna-se verbo!
Ah, esse poema em que me derramo!
Só silencio quando encontro o sono.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

menos cinema, mais do mesmo tema


Publiquei há alguns dias na Revista Projeções uma crítica ao filme brasileiro escolhido como indicável ao Oscar, Salve Geral, de Sérgio Rezende. Uma péssima escolha.

domingo, 4 de outubro de 2009

Numa tarde de outono ele esconderá as lágrimas na chuva ao partir sozinho na direção oposta. Mas antes, conhecer-nos-emos num naufrágio da alma e lutaremos contra o ocaso do mundo; sonharemos o mesmo sonho impossível e amaremos à mesma musa arredia. Antes que parta, choraremos o nosso descuido e o nosso descaso; lamentaremos o nosso desejo e os nossos silêncios; amaldiçoaremos a tua descrença e a nossa vã incompetência: toda a falta de coragem e coração que atirou o mundo absurdo nesta desolação cuja solução ou fim não estarão aqui ou sequer na senda que ele tomará. Não que ele poderá ver ali alguma esperança ou lampejo doce de transformação que o seduza. No caminho que ele tomará, como no que eu tomarei e como no que tu tomarás, os sonhos talvez já nasçam velhos. Se não velhos; submissos, lúcidos, racionais. E é por rejeitarmos a velhice, a submissão, a lucidez, a razão, que nos amaremos tanto.
Mas ele e eu e ti fingiremos não acreditar nessa bobeira de amor e ele tomará sua chuva outonal partindo sozinho na direção oposta à que consideraremos o Futuro. E, diferente de nós, não chorará mais lágrima alguma até o penúltimo de seus aventurosos rebeldes dias.
E sequer choraria se conosco estivesse.